LOVE – S01E01 – It Begins [SERIES PREMIERE]

Reaprendendo a amar.

A mais nova série do Netflix está no ar, finalmente. Com pouco alarde na mídia, LOVE estreou nesta sexta-feira com os 10 episódios da primeira temporada disponíveis de uma tacada só, como de praxe. A história é simples e com uma pegada mais realista, tem como objetivo mostrar os bastidores dos relacionamentos atuais através de uma perspectiva neutra – usando um homem e uma mulher para isso. E ao meu ver se saiu bem nesse primeiro episódio.

Em pouco mais de 40 minutos (os demais episódios devem ter cerca de 30 minutos cada), a série nos apresentou os disfuncionais Mickey e Gus, um ‘casal’ que vê seus respectivos relacionamentos ruir e se encontram agora naquele limbo de desesperança e solidão após o término de um namoro. Mickey, interpretada pela ótima Gillian Jacobs (de Community) vê seu caso com Eric – que já não era lá muita coisa, pela cara de insatisfação da nossa protagonista – terminar quando ela se cansa da imaturidade e falta de perspectivas nesse relacionamento. Ao mesmo tempo, Gus (Paul Rust, de Bastardos Inglórios), em um relacionamento bem mais estável, se descobre com um belo par de chifres ornando suas madeixas e decide se livrar desse amor não correspondido por Natalie.

O marasmo e a infelicidade dos protagonistas em seus próprios relacionamentos e bem claro nos minutos iniciais desse episódio, e serve bem para ilustrar o que vem por ai. O término, a quebra dessa situação de tédio que se instala inicialmente nos leva a conhecer dois personagens que não tem como acreditar no amor, não por estarem com seus corações partidos e despedaçados, mas pelo insucesso e falta de expectativas decorrente de um relacionamento acomodado em que viviam. A mudança na vida deles forca um recomeço, com Mickey buscando uma roomate e Gus fazendo amizade com a turma da faculdade que está temporariamente instalada no condomínio onde ele passa a morar.

A situação continua no trabalho – onde a maioria de nós geralmente gosta de enfiar a cabeça quando situações como essas acontecem. Aqui, a proposta do seriado de ser pé-no-chao, sem exageros e didatismos e bem visível. As coisas são mostradas bem como são, com ambos lidando com seus problemas do dia-a-dia e sem muitas coisas excitantes. O mesmo segue com seus amigos – outro lugar onde nós geralmente buscamos abrigos após um término: tudo é mostrado de maneira bem natural e com a filosofia de “vamos seguir em frente”, mesmo com a frustração perseguindo os principais protagonistas.

O ponto alto do episódio são os momentos onde os protagonistas resolvem afogar as magoas no fundo de uma garrafa (com ajuda ou não de alguns remedinhos), e metralham verdades aleatórias  sobre como enxergam o amor. Nesse ponto Mickey brilha ao admitir calmamente e claramente que a busca pelo amor está consumindo ela e que ela esta cansada em procurar e pedir amor e não receber o que merece, enquanto Gus parte para a explosão e briga com o vizinho para continuar enchendo a cara. As cenas seguintes servem para ressaltar a solidão e infelicidade dos protagonistas, com típicas recaídas, sexo com estranhos (a 3 com duas irmãs – você faria?) para no fim terminarem sozinhos.

Ao final do segundo tempo a mágica acontece: finalmente podemos ver os dois protagonistas se encontrando. Já não era sem tempo! A cena é bem coerente – Mickey toda errada e atrapalhada, como ela mesmo admite anteriormente, tentando descolar um cafezinho na faixa; Gus todo bondoso e pacifista entrando em meio a discussão e se oferecendo para pagar o café e um cigarrinho pra sua provavelmente possível amada. A hora que a história parece que vai engrenar nos descobrimos no final do episódio e agora precisamos esperar o próximo – só que não, isso aqui é Netflix e eu vou maratonar tudo de uma vez.

Vejo vocês no episódio 2!

Amei: o momento de ‘sobriedade’ dos protagonistas enquanto estão chapados foi muito bom e sincero. A direção conseguiu mostrar bem aquela transição do ‘hoje quero me acabar’ pro ‘o que estou fazendo da minha vida’. Mickey na igreja ouvindo as belas palavras que Love doesn’t just happen, we have to choose it. Gus percebendo que esta desperdiçando a vida sem aproveitar os bons momentos.

Faltou amor: esperava mais comédia. A série começou como um romance sem ser romântico e uma comédia ser ter piadas. Talvez pelo foco maior ser o desenvolvimento dos personagem e o estabelecimento de uma historia até eles se conhecerem no final do episódio, o episódio ficou um pouco frustrante. Esperei por mais magia, uma fotografia mais inspirada, algo que despertasse a paixão – o que ainda pode vir nos próximos episódios.

Fernando

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